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Planos odontológicos se popularizam e já atingem 24,6 milhões de pessoas no país

Planos odontológicos se popularizam e já atingem 24,6 milhões de pessoas no país

Mesmo em meio à crise econômica, os brasileiros estão cada vez mais contratando planos de saúde odontológicos. Dados da Agência Nacional de Saúde (ANS) mostram que o número de beneficiários já é recorde: 24,6 milhões, em maio (último dado liberado) — crescimento em torno de 25% desde 2014. Nos últimos 12 meses, o aumento do total de usuários foi de 6,5%, enquanto os planos médicos ficaram estagnados. O que está por trás da expansão é a grande oferta de produtos a preços acessíveis. Os mais simples têm custos mensais a partir de R$ 12, nos planos individuais, vendidos pelas próprias operadoras de saúde, pela internet e até por lojas de varejo.

— Enquanto no segmento médico o custo de ter um plano individual é alto, no odontológico, não. E, para crescer, os planos oferecem algumas opções acessíveis. As classes B ,C e D têm sido as que mais têm aderido nos últimos anos — afirmou Paula Toguchi, superintendente de Produtos da seguradora MetLife.

Mais pacientes para dentistas

O dentista Giancarlo Lazzari atende oito planos odontológicos
O dentista Giancarlo Lazzari atende oito planos odontológicos Foto: Divulgação

A verdade é que os brasileiros não vão tanto ao dentista como deveriam, porque não consideram isso como uma prioridade. Mas os planos estão aumentando a demanda para o grande número de dentistas que existem no país.

Segundo dados do Conselho Federal de Odontologia (CFO) de 2010, o Brasil é o país com mais dentistas no mundo, concentrando cerca de 19% dos profissionais. Em 2018, contabilizou-se 312.403 especialistas no país — o equivalente a proporção de 668 habitantes por profissional. Com esse novo cenário, muitos dentistas que antes atendiam poucos pacientes no particular passaram a atender vários planos odontológicos, aumentando o número de clientes.

— Sou dentista há 22 anos e atendo planos há 10. Hoje trabalho com oito, e com público variado. Cada vez aumenta mais. Posso ganhar menos por consulta, mas isso é compensado pelo maior volume de atendimento — avalia Giancarlo Lazzari.

Para muitos dentistas, os planos mudam o perfil dos pacientes, que passam a fazer mais prevenção e a tratar regularmente problemas bucais, porque isso está incluso no preço. Antes, muitos pacientes só iam em casos graves ou emergenciais, cujos custos são muito mais elevados. Dessa forma, o plano também se torna uma economia no longo prazo.

— É muito importante ir ao dentista pelo menos duas vezes ao ano, fazer uma limpeza e um controle bucal. Mas precisando pagar cerca de R$ 100 ou R$ 200 para ir, as pessoas acabam não indo. Depois podem ter que arcar com tratamentos caros como de canal e restauração por mais de mil reais, não sendo uma economia racional — conta Lazzari.

Seguradoras apostam em crescimento

Para especialistas no mercado de saúde, a expectativa é que o mercado de planos odontológicos cresça até como uma maneira de algumas seguradoras compensarem a queda de beneficiários de planos médicos nos últimos anos com a crise. Por isso, a estratégia de muitas empresas tem sido vender os planos odontológicos para os clientes de planos médicos.

— O foco da Unimed é crescer por meio do sistema. Nosso objetivo é que quem tem o plano de saúde, e já conhece nosso serviço, tenha o plano odontológico — afirmou Fábio Nogi, gerente de Estratégia Comercial da Unimed.

E assim, como ela, a Amil também pretende crescer.

— De 2017 para 2019, a Amil Dental cresceu 5% em número de clientes. E pretendemos ampliar ainda mais a penetração do plano odontológico nos próximos anos — afirmou Robert Wieselberg, diretor de Amil Dental.

Para o consumidor, parece cômodo ter o mesmo plano nas duas áreas, mas nem sempre é mais vantajoso. Vale negociar descontos ou pesquisar outras opções.

Fonte: Jornal Extra

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