Associado, acesse sua conta

conteúdo exclusivo para você.

Superlotação, longa espera e falta de condições: usuários criticam o HPS de Canoas

Superlotação, longa espera e falta de condições: usuários criticam o HPS de Canoas

Enquanto busca reestruturar a atenção primária, a prefeitura de Canoas ainda precisa lidar com as críticas em relação ao atendimento de uma das principais portas de emergência da cidade: o Hospital de Pronto Socorro (HPS). Referência para 156 municípios da região, os relatos de superlotação são frequentes, assim como a demora para alguns atendimentos.

O motoboy Marcelo Marques, 44 anos, sofreu um acidente de motocicleta na quarta-feira passada (18), quando foi atingido por um carro no bairro Estância Velha. Durante cinco dias, com seis fraturas, braços e pernas quebrados, ficou em uma maca na sala da área amarela com outras nove pessoas, recebendo apenas remédio para dor e acompanhamentos de rotina.

– Vi três pessoas indo embora espontaneamente por falta de atendimento. Minhas roupas de cama foram as mesmas por todos estes dias, só trocaram quando me passaram para um quarto (na quarta-feira, dia 25). A camisola também foi a mesma, minha esposa que levou para casa, lavou, e trouxe de novo – relata.

Marcelo foi transferido para um quarto com outras quatro pessoas onde, segundo ele, o ar-condicionado não funciona. A cirurgia para reparar as fraturas está agendada para daqui a uma semana.

– Estou vivendo à base de morfina. Mas, agora que estou no quarto, dá para dizer que estou bem – conta.

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Verônica, 73 anos, não foi atendida no HPS, sendo orientada a procurar UPARonaldo Bernardi / Agencia RBS

A reportagem do DG esteve no hospital nesta quarta-feira (25) e viu diversas pessoas procurando atendimento e sendo orientadas a procurarem as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) do município. Após passar pela triagem e receber o atendimento de um enfermeiro, a aposentada Verônica Tomazzini, 73 anos, precisou chamar um táxi para ir do HPS até a UPA Rio Branco. A UPA Caçapava, que fica na mesma rua do HPS, está em reformas e fechada desde abril, e só reabrirá no ano que vem, como Clínica de Saúde da Família.

– Estou com tontura e vômito. Mediram minha pressão e fizeram o teste de diabetes, mas me mandaram procurar um clínico lá na UPA – comentou.

Acompanhando a mãe Isaura, 57 anos, que está internada há mais de uma semana no HPS, a balconista Caroline Lacerda, 21 anos, reclama da periodicidade na divulgação dos informes médicos, que ocorreriam apenas uma vez por dia. Caroline conta que a mãe tem apenas um pulmão e ficou dois dias deitada sobre um plástico bolha até conseguir uma maca. Durante esses dias no hospital, ainda sofreu uma parada cardiorrespiratória e, desde então, aguarda internação na UTI.

Quando não conseguem ser atendidos no HPS, é para as UPAs que os pacientes vão em busca de ajuda. O problema é que essas unidades, frequentemente, são alvos de críticas pela demora no atendimento. Há um mês, o aposentado Aldo Candiotto, 54 anos, precisou levar a esposa Maria da Glória, 43 anos, à UPA Boqueirão e disse que não conseguiu ser atendido. Na terça-feira, 24, ela teve uma crise asmática e a família resolveu ir direto até a UPA Rio Branco.

– O HPS não atende, a Boqueirão é ruim e tem vezes que não tem funcionários, então, só nos resta aqui (na UPA Rio Branco) – explica.

Dono de um comércio na diagonal da UPA Rio Branco, Edgar Ribeiro, 24 anos, conta que o problema é maior à noite:

– Tem filas imensas. Tem dias com 100 pessoas lá dentro e apenas um médico, demoram seis, sete horas para fazer um exame. O HPS só pega emergência, o resto tocam tudo para cá.

Demanda é maior para a área clínica

Segundo a secretária-adjunta de Saúde, Fernanda Fernandes, historicamente, os serviços de emergência registram situações de grande lotação. Em Canoas, não é diferente, especialmente, por ser referência para 156 municípios.

– É um problema crônico a nível de país e isso está muito relacionado à baixa da cobertura de atenção básica. Temos um volume de pacientes clínicos elevado. Por isso, estamos reestruturando a atenção primária. Nossa demanda no HPS não é tanto de trauma, é de clínica – disse.

Fernanda explica que o número de UPAs, duas, está dentro do preconizado para a população da cidade e que a UPA Rio Branco tem registrado demanda maior de atendimento em função da proximidade com alguns bairros de Porto Alegre, como o Humaitá, de onde muitos moradores têm buscado auxílio em Canoas.

A prefeitura destaca, ainda, que o HPS está passando por uma grande reforma após 15 anos desde a inauguração e deve trazer melhorias no atendimento oferecido. As obras iniciaram pelo acesso principal e, depois, passarão para parte interna. A reforma está sendo executada com recursos próprios do município.

Fonte: Gaúcha ZH

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado