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Mais Médicos em Porto Alegre: cubana tem saudade da família, venezuelana quer ficar

Mais Médicos em Porto Alegre: cubana tem saudade da família, venezuelana quer ficar

A médica cubana Mayuli Ávila Peres, 35 anos, deixou Cuba em novembro de 2015 para trabalhar no Brasil pelo Mais Médicos. A decisão não foi fácil, já que sua filha, então com dois anos, teve de ficar no país natal com a família.

Quando se inscreveu no programa — que está completando cinco anos —, não sabia para que lugar do país seria encaminhada. Acabou em Porto Alegre, na Unidade de Saúde Santa Maria, no bairro Rubem Berta, região humilde da cidade. O idioma foi uma das barreiras iniciais, mas, segundo ela, o “portunhol” foi melhorando.

— Se o paciente falava devagar, era fácil de entender. Agora, com três anos no Brasil, já é mais fácil.

A convivência com doenças que só tinha estudado na faculdade foi outro desafio.

— Vimos doenças que conhecíamos apenas por livros. Em Cuba, em 12 anos, só tratei tuberculose uma só vez e, de sífilis e HIV, só atendi a um ou dois pacientes. Aqui, já tive vários.

Em Cuba, a médica trabalhava as mesmas oito horas diárias do que no Brasil, mas também fazia plantões. Em Porto Alegre, o trabalho é de segunda a sexta-feira. A médica preferiu não entrar na polêmica envolvendo a remuneração dos médicos cubanos e disse que praticamente todo o valor que recebe envia para a família.

A enfermeira Roselaine Patrícia Spaniol, coordenadora da unidade onde Mayuli trabalha, elogia:

— Ela tem um perfil profissional muito proativo. Ela se integrou muito facilmente com a equipe e com a comunidade.

Não digo que não voltaria. Quem sabe, em alguns anos. Agora, acho que o tempo é suficiente.

MAYULI ÁVILA PERES

Médica cubana

Paloma Cardoso Rodrigues, de 31 anos, aguardava atendimento com a filha especial no colo quando falou com GaúchaZH. É paciente de Mayuli há mais de um ano.

— Não tenho reclamação nenhuma. Tudo o que eu precisei, ela agilizou. Até porque tenho uma filha especial, então havia encaminhamentos que ela nem sabia como fazer, mas correu atrás e resolveu.

Nos quase três anos que está no Brasil, Mayuli foi duas vezes a Cuba para visitar a família, mas a saudade bateu mais forte. Em outubro, vai voltar à terra natal.

— Não digo que não voltaria. Quem sabe, em alguns anos. Agora, acho que o tempo é suficiente.

“Vínculo estreito, humano e lindo”, diz Dulce

Há cerca de quatro anos, a médica venezuelana Dulce Suárez, 41 anos, viu no Mais Médicos uma oportunidade para fugir da crise de seu país. Em março de 2014, chegou a Porto Alegre com o marido e o filho. Depois, vieram os enteados e outros familiares.

Até agora não me motivei a trabalhar na rede particular ou em hospitais, porque me apaixonei mesmo pelo trabalho que desenvolvo no Mais Médicos.

DULCE SUÁREZ

Médica venezuelana

— Há muito tempo eu já desejava sair do meu país, e o programa apresentava uma gama ampla de benefícios para o profissional — conta Dulce, que é clínica geral, ginecologista e obstetra e trabalha na unidade de saúde Nossa Senhora de Belém, no bairro Belém Velho, zona sul da Capital.

Além da dificuldade com o idioma, a venezuelana também precisou se adaptar ao sistema de saúde brasileiro. A integração entre os profissionais foi uma das diferenças que encontrou por aqui. Ela citou como exemplo o fato de a enfermeira trabalhar com atendimento de pacientes diretamente, e não como auxiliar no trabalho de um médico, como é mais comum na Venezuela.

— Também o fato de técnicos de enfermagem desempenharem papéis um tanto administrativos foi, para mim, bastante difícil de compreender — acrescenta.

Dulce, que já revalidou o seu diploma médico, diz que ficaria por tempo indeterminado no Brasil.

— Até agora não me motivei a trabalhar na rede particular ou em hospitais, porque me apaixonei mesmo pelo trabalho que desenvolvo no Mais Médicos. Quando se trabalha em nível hospitalar, não há como acompanhar uma família, ver as crianças crescerem, cuidar de pessoas idosas doentes. É um vínculo estreito, humano e lindo.

O Mais Médicos

Participam do programa médicos cooperados (cubanos) e intercambistas (brasileiros médicos formados no Exterior ou de outras nacionalidades) de países como Peru, Uruguai, El Salvador, Venezuela, República Dominicana, Honduras, Palestina, Argentina, Itália, Portugal, Haiti, Guatemala, Espanha, México, Bolívia, Equador e Paquistão.

O contrato dos médicos é de três anos, com possibilidade de prorrogação. Os profissionais recebem bolsa-formação de R$ 11,8 mil e ajuda de custo inicial entre R$ 10 mil e R$ 30 mil para deslocamento para o município de atuação. Além disso, todos eles têm moradia e alimentação custeadas pelas prefeituras.

Fonte: Gaúcha ZH

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