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Hospitais de Camaquã e Cruz Alta restringem atendimentos devido à falta de repasses do Estado

Hospitais de Camaquã e Cruz Alta restringem atendimentos devido à falta de repasses do Estado

Mais dois hospitais gaúchos decidiram restringir serviços nesta semana devido à falta de repasses do governo do Estado. Depois de o problema ter sido registrado em instituições das cidades de Canoas e Sapucaia do Sul na última semana, hospitais de Cruz Alta e Camaquã tomaram a mesma medida.

O Hospital São Vicente de Paulo, em Cruz Alta, na região Noroeste, suspendeu todas as internações clínicas e cirurgias eletivas por tempo indeterminado. O hospital, que atende 80% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mantém apenas o serviço de urgência e emergência. As consultas em neurologia, traumatologia, oncologia e terapia renal também são mantidas – a instituição é referência para 13 municípios da região.

Segundo a instituição, o Estado deve cerca de R$ 2 milhões em repasses atrasados desde setembro, o que faz com que os salários dos funcionários estejam atrasados: apenas parte da folha de setembro foi paga. A folha de outubro ainda não foi quitada. Parte dos funcionários faz greve devido ao atraso de salários, o que também contribuiu para a decisão de restringir o atendimento.

Na região Sul, o Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, as cirurgias eletivas pelo SUS também foram suspensas e o pronto-socorro começou a operar com restrição. Os casos considerados menos graves são encaminhados à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do município.

Segundo o diretor-presidente do Hospital Nossa Senhora Aparecida, José Almiro Alencastro, os repasses atrasados somam R$ 3,2 milhões desde agosto, o que faz com que haja dificuldades para pagar salários. Os médicos não recebem desde agosto, e os demais funcionários receberam somente 50% dos salários de outubro.

– Decidimos priorizar o pagamento dos funcionários que têm salários mais baixos. Os médicos nos consultaram e disseram que tinham intenção de parar com as eletivas, e nós aderimos a esta parceria, porque não podemos obrigá-los a trabalhar sem receber. Também não adianta fazermos cirurgias se, logo mais, não teremos insumos. Os repasses a fornecedores estão atrasados e tivemos que optar pelos procedimentos urgentes – desabafa Alencastro.

Conforme o diretor-presidente, o hospital, que é 85% SUS, é o único que funciona às margens da BR-116 no trecho entre Pelotas e Guaíba e, por isso, atende a muitos acidentes de trânsito na rodovia. A instituição ainda não sabe como fará para pagar valores referentes a férias e 13º salário dos funcionários.

Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que estão atrasados dois repasses referentes a incentivos estaduais de agosto e setembro que somam R$ 130 milhões. Segundo a assessoria de imprensa, a SES está “se organizando para efetuar o pagamento de uma das competências ainda neste mês”. A pasta ainda destacou que, em 2018, R$ 2 bilhões em recursos estaduais e federais foram repassados aos hospitais, “valor superior ao que foi encaminhado em 2017”.

Problemas atingem hospitais em todo o Estado

A restrição no atendimento começou a ser registrada em hospitais de diferentes pontos do Estado no último mês. Nesta quarta-feira (21), o hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, suspende cirurgias eletivas e exames eletivos de imagem por tempo indeterminado. Em São Leopoldo, município vizinho, a prefeitura deve anunciar na tarde desta quarta-feira restrições no Hospital Centenário.

Em Canoas, ainda na semana passada, foram iniciadas medidas de restrição de atendimento em três hospitais: Universitário, Pronto Socorro e Nossa Senhora das Graças. Consultas eletivas, exames e demais procedimentos foram suspensos por tempo indeterminado.

Hospital Montenegro, no Vale do Caí, também havia anunciado restrições no começo do mês. O único hospital 100% SUS da região deixou de realizar consultas, exames e cirurgias de todas as 12 especialidades.

Federação das Santas Casas prevê dificuldades no fim do ano

Levantamento feito pela Federação das Santas Casas indica que, se o Estado não fizer o pagamento das parcelas devidas, 81% das instituições não terá condições de pagar o 13º salário – o montante, segundo a federação, soma R$ 187,5 milhões. Ainda conforme o levantamento, 38% dos hospitais já estão com salários atrasados e 14% operam com restrição de atendimentos.

Fonte: Gaúcha ZH

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